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Por que os monstros?
E por que os lobisomens?

Os monstros me fascinam desde criança.
Um dia, eu era uma criança com medo dizendo “pai, quando passar essa parte me fala que eu abro o olho”. No outro, os vi pela primeira vez e fiquei encantada.
E tudo começou com Van Helsing.
No meu pequeno entendimento, (eu tinha doze anos quando assisti) se o lobisomem precisava existir e era a única coisa que matava o Drácula, antagonista do filme, o lobisomem não era uma maldição, e sim a solução de tudo. Fiquei triste com o final, não só pela morte da Ana, mas por curarem o lobisomem.
Na adolescência, tudo relacionado a lobisomens me encantava, a ideia de uma criatura rasgar o corpo humano inteiro e sair seguindo os instintos animais durante a lua cheia era intrigante, mágica e até libertadora, e foi por causa desse pensamento que comecei a enxergar os lobisomens, e os monstros no geral, como uma metáfora para nossas emoções reprimidas.
Em especial, vou falar dos lobisomens, claro. Além de ser minha criatura favorita, é meu hiperfoco desde a infância, quando começo não paro mais de falar.
O lobisomem me fascinou por ser a primeira criatura que vi tendo a transformação desencadeada por algo: raiva, ódio, excitação, medo. Os sentimentos mais desorganizadores para os seres humanos liberam a fera. Por que? Porque somos condicionados a dar a outra face.
Nossa sociedade está fundamentada numa religião que endeusa o perdão, que incentiva o silêncio diante de um desconforto como forma de superioridade, de sair por cima. Quem cede as emoções da raiva, do ódio, da inveja, é um monstro, e na realidade, são elas que nos tornam tão humanos.
Sentir raiva, ódio, inveja, ganância, é normal. Sabemos disso. Nenhum sentimento em excesso é bom. Ser extremamente feliz não é bom. Ser extremamente tomado de ódio não é bom. Justamente as emoções e a busca pelo equilíbrio entre elas que faz de nós o que somos então por que a rejeição? Por que tratar com julgamento algo que podemos abraçar?
No meu livro, optei por essa abordagem. As criaturas são a espécie que abraça todas as emoções e lidam com elas da melhor forma que conseguem, as criaturas não têm uma régua moral, bons costumes ou construções fundamentalistas e baseadas numa religião de perdão, elas são condicionadas a compreender o que sentem e meditar no motivo que desencadeia essas emoções. Quando os humanos são submetidos a fortes emoções e traumas, entram em crise, desencadeiam doenças e transtornos, as criaturas não, quando a parte humana não consegue processar as informações, a fera toma conta e libera esses sentimentos, se liberta.
Acho que muitas pessoas não levam a sério quando dizem: todo mundo precisa de terapia. A terapia é justamente compreender e lidar com nossos afetos e percepções, não precisamos procurá-la só quando tudo está desorganizado, ou quando chegamos ao fundo do poço e o monstro já saiu. A terapia é para entender o monstro dentro de nós e abraçá-lo. O monstro é parte de nós, não o que devemos repudiar.
Trabalho escrever com monstros e principalmente casais entre humanos e monstros, ou dois monstros de raças diferentes, porque, para mim, essa dinâmica e suas necessidades ficam muito claras, como se um fosse o complemento do outro. Eles se amam independente das diferenças, se compreendem e se acolhem.
E quem não quer ter seu pior lado amado também?
Sem contar que amar alguém que já é posto como monstro em um Brasil onde o feminicídio cresce a cada dia, um lobisomem apaixonado que te defende de tudo e todos parece ser o menor dos nossos problemas.
ESCREVENDO O QUE?
Eu acabei meu livroo (solta fogos). Acabei no último dia de abril, sim eu tinha um prazo pessoal a ser vencido, uma competição comigo mesmo! E venci, é o que importa. Ele está descansando, passando por leitura beta e espero trazer novidades em breve!
INDICAÇÕES
Vou indicar (obviamente!) Garras da Lis Vilas Boas, leitura deliciosa e que está sendo meu livro de lobisomem apaixonado favorito do momento. O livro conta a história de Diana DeCoeur, uma bruxa duvidosa e doidinha de pedra atrás de comprar um marido para seguir com um plano contra sua família e a maldição que a rodeia. Em um bar sujo, ela dá de cara com Edgar Lacarez, um lobisomem muito gostoso, digo, muito família que vai topar essa loucura em troca das vantagens que o dinheiro de Diana oferece para a matilha. E siiim eles vão se apaixonar no meio dessa maluquice toda. Lis conseguiu criar um personagem com a personalidade Marido mais incrível possível e uma mulher perfeitamente afiada e louca nas medidas erradas mais certas. A minha bissexualidade não deu conta desse livro. Apenas leiam.
Essa semana peguei pra ouvir de novo o álbum emails i can’t send fwd da Sabrina Carpenter, acho que ele vai ser meu favorito dela pra sempre. Simplesmente amo todas as músicas e meu vício atual é things i wish you said. Virou minha companhia para cenas tristes.
Até a próxima!